No dia 28 de abril de 1969 uma explosão numa mina de carvão no estado norte-americano da Virginia matou 78 mineiros. Em 2003, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) instituiu essa data como o Dia Mundial Em Memória dos Trabalhadores e Trabalhadoras Vítimas de Acidentes e Doenças Relacionadas ao Trabalho.
No Brasil, após a reforma trabalhista de 2017 e a ascensão ao poder de um projeto notadamente contrário aos interesses dos trabalhadores, temos ainda muito mais a lamentar: os casos de subnotificações de acidentes de trabalho (o famoso “jogar para baixo do tapete”) e os afastamentos do trabalho, que deveriam constar como doenças do trabalho ou acidentes de trabalho e que agora estão sendo desconsiderados pelos peritos do INSS ou simplesmente interpretados como sendo doenças comuns.
Parece tratar-se da mesma lógica de Bolsonaro, que se gaba de não haver corrupção sob seu governo mas impõe sigilos de informações que antes eram públicas, persegue quem o investiga (troca de delegados da PF, por exemplo), além de promover a compra de parlamentares através do orçamento secreto – para evitar CPIs.
No mundo do trabalho, a empresa que mais se destaca nesse “ranking” do desrespeito à saúde dos trabalhadores (as) é a JBS/SEARA. Não é por coincidência que ela é hoje a maior empresa global de processamento de proteína animal e vem batendo recordes de lucratividade, ano após ano, mesmo durante a pandemia de covid19. Tudo isso às custas de muito sofrimento humano. Essa é a razão nessa importante data da nossa menção desonrosa a esta gigante do setor frigorífico, que como vocês podem ver nas matérias anexas, demonstra não estar nem um pouco preocupada com a saúde, segurança e a vida de seus funcionários. É por isso que se diz, “a carne mais barata nos frigoríficos é a dos trabalhadores”.
A diretoria do STIAAR está em Florianópolis hoje (28) em uma grande manifestação junto a outros sindicatos da categoria para cobrar das empresas mais respeito com os trabalhadores e trabalhadoras da alimentação, que enfrentam diariamente diversos riscos em suas funções e são pouco valorizados. Por mais saúde no trabalho!